Tire sua dúvida: E se o banco quebrar?

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Um leitor e colaborador do blog me escreveu e-mail onde pergunta se, caso o banco onde possui suas aplicações vier a quebrar, ele corre o risco de perder tudo o que aplicou nos fundos de investimento do banco…

Excelente questão, bastante oportuna por conta das alarmantes notícias recém-publicadas sobre a prisão de dirigente de um importante banco de investimentos brasileiro.

Entendo que a preocupação do leitor recaia sobre o que já comentamos por aqui, o chamado risco de crédito. Relembrando a definição, o risco de crédito se associa à possibilidade de o devedor (no caso a instituição que captou os recursos) não honrar os compromissos nos valores e datas predefinidas. Exemplificando: se o banco X emite um CDB com promessa de devolução dos recursos aplicados acrescidos dos juros em determinada data, no caso de uma quebra, o investidor poderá   ter dificuldades em receber o que aplicou, razão da existência do FGC (também tratado por aqui) para dar segurança ao mercado.

Deve ficar claro ainda que tal tipo de risco não se limita a instituições do mercado financeiro: uma empresa Y que emita um título de dívida – por exemplo uma debênture – também oferecerá risco de crédito se vier a enfrentar dificuldades financeiras (ou falência), possivelmente deixando de pagar todo ou parte dos compromissos pré-agendados. Importante lembrar que tais títulos não contam com a proteção do FGC.

Voltemos agora à questão originalmente colocada pelo gentil leitor: um fundo de investimentos tem CNPJ próprio, significando portanto dizer que sua natureza jurídica não se confunde com a do banco. Trocando em miúdos: não apenas as contas onde os recursos existentes no fundo são depositados estão em nome do fundo e não do banco, mas também a custódia (guarda) dos seus ativos (títulos, ações, imóveis e outros). Adicionalmente, fundos têm sua contabilidade própria, verificada anualmente por auditores independentes e sob a supervisão do xerife do mercado, a Comissão de Valores Mobiliários, a CVM.

Logo, o que o investidor precisa se preocupar é com a composição da carteira do fundo… Por exemplo, se a carteira do fundo do banco X (supostamente o que tem risco de quebra) é composta inteiramente por títulos públicos federais, o risco de crédito está associado à possibilidade do calote na dívida federal… Por outro lado, se o banco Z, bem de saúde, gerenciar um fundo em que 20% da carteira é composta por CDB do banco X (o da quebra), investidores deste fundo possivelmente registrarão perdas em suas aplicações. Que fique claro também, que a perda não será total, pois, pelas regras atuais na legislação relacionadas aos fundos, há percentuais máximos de aplicação em títulos de um mesmo emitente. A diversificação, neste caso, funcionaria como um antídoto para se evitar perdas excessivas aos poupadores.

Como é possível perceber, a estrutura e os controles para o funcionamento do mercado existem, e não tenho motivos para acreditar que não estejam operando de forma correta. Mas, por motivos óbvios, não sou avalista do mercado e assim, minha melhor recomendação para você, meu querido leitor preocupado com os próprios investimentos é que se informe, tomando decisões racionais pois nestas ocasiões, tanto a pressa quanto a inércia poderão levá-lo a perdas desnecessárias, não é mesmo?

Um grande abraço e até a próxima dúvida!

Sobre o autor

Roberto Zentgraf
Roberto Zentgraf

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