Tire sua dúvida: FGC e o Tesouro Direto

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Uma leitora e colaboradora do blog me escreveu e-mail onde pergunta se os títulos emitidos pelo Tesouro contam com a proteção do FGC e ainda, se há a possibilidade de haver calote por parte do governo federal…

Duas ótimas questões, que mostram como a turma anda ligada em suas aplicações financeiras, um excelente sinal! Na realidade o que aflige a leitora e, provavelmente, outros investidores, é o chamado risco de crédito, caracterizado como a possibilidade do emitente de um título de dívida (ou de renda fixa), não vir a honrar seus compromissos nas datas estipuladas. Que fique claro, tal risco não está restrito aos investimentos financeiros… Explico: se você possuir um imóvel e o alugar a terceiros, também o enfrentará já que nada garante que seu inquilino pague o aluguel nas datas acertadas. E esta é a razão pela qual muitas imobiliárias, antes de assinarem contratos, fazem uma pesquisa sobre o histórico de crédito de seus futuros clientes.

Atendendo especificamente à primeira questão, a resposta é não: títulos públicos não contam com a proteção do FGC (veja o post que escrevi sobre o que está protegido aqui: http://www.blogdozent.com.br/tire-sua-duvida-risco-de-credito-e-o-fgc/), decerto por se acreditar que a possibilidade de um governo dar calote é praticamente desprezível… Não chego a tanto, pois ao nos referirmos ao governo, incluímos também títulos emitidos pelos estados e pelas prefeituras. Será que todos tem um histórico de bons pagadores? Pelo sim, pelo não, pessoalmente dou preferência aos títulos federais e, caso fosse investir em títulos estaduais ou municipais, no mínimo pesquisaria as notas de risco dadas pelas agências, exigindo taxas maiores para os emitentes com piores notas.

Agora vamos à segunda questão, cuja resposta não é tão precisa já que, sem bola de cristal, não tenho como atestar a intenção e/ou a disponibilidade do governo federal em honrar seus compromissos, ainda mais em investimentos de prazo tão longo, como aquelas notas com vencimento para 2050… Feita a ressalva, acho pouco provável um calote, em função da seguinte argumentação: (1) um calote fecharia o mercado para futuras emissões, pois afinal, quem compraria estes papéis de um governo que desonrasse seus compromissos? No passado o Brasil já se meteu por este caminho, declarando a moratória da dívida e dando com os burros n´água (Plano Cruzado); (2) tais títulos integram as carteiras de fundos, fundos de pensão, fundos de previdência privada, dentre outros… Já imaginou o estrago que o não pagamento dos compromissos geraria entre os que vivem destes recursos? (3) o país ainda conta com reservas, e não está em situação falimentar, como já esteve no passado; (4) o momento econômico atual, ainda que delicado, não é de terra arrasada e, talvez por puro otimismo, eu acredite que as forças políticas encontrarão um caminho para a retomada do crescimento.

Ressalve-se ainda, em relação à pergunta da leitora – e que pode ser a sua dúvida também, meu querido leitor – sobre a confusão do real emitente dos títulos: há muitos que acham que o risco ao investir diretamente no Tesouro Direto é maior do que o risco de se comprar as cotas do fundo XPTO do Banco XYZ… Não é bem assim pois, se o fundo em questão detiver em sua carteira apenas papéis emitidos pelo Tesouro Nacional, o calote atingirá a todos, percebe? E vou além: em uma eventualidade de um calote federal, pouquíssimas empresas ficariam adimplentes, espalhando o risco de crédito por todos os segmentos da economia; logo…

Um grande abraço e até a próxima dúvida!

Sobre o autor

Roberto Zentgraf
Roberto Zentgraf

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