Alternativas para o décimo-terceiro

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Com a chegada do final do ano, empregadores têm até 30 de novembro para pagar a primeira parcela do décimo terceiro e até 20 de dezembro para pagar a segunda a seus funcionários, uma graninha extra que pode fazer a festa para quem está empregado.

A bem da verdade, tenho questionado muito este benefício, talvez por trabalhar por conta própria e, portanto, não ter direito ao seu recebimento, mas também porque em toda a minha vida profissional sempre raciocinei em termos de receita anual.

Mas calma aí, meu querido leitor, não estou dizendo com isso que o salário extra deva ser pura e simplesmente eliminado, mas sim incorporado ao longo de todo o ano… Explico: para quem tenha um salário de R$ 5 mil mensais, por exemplo, ao invés de recebê-lo em 13 parcelas no total de R$ 65 mil, passaria a recebê-lo em 12 parcelas no valor de R$5.417 cada e, com isso, ao invés de esperar até o fim do ano (ou pelo menos até as férias para receber metade do valor) para usufruir de seus direitos, passaria a usufruí-los gradativamente. Enfim, essa é a minha opinião mas que, dadas as regras atuais, fica só no terreno da opinião mesmo, paciência!

Polêmicas à parte, no artigo de hoje cito alternativas para seu uso que fujam do lugar-comum do consumo, pois afinal, gastar todo muito sabe, não é mesmo?

(1) Eliminar dívidas: Para os que estão encalacrados com dívidas que crescem muito rápido por conta das elevadas taxas de juros cobradas – cartão de crédito, cheque especial, ou empréstimos em financeiras – é uma boa ocasião para estancar a sangria no orçamento com despesas que não dão prazer, como os juros. Aliás, reforço que nestas situações, não recomendaria outro uso para o décimo-terceiro além deste objetivo. Sim, sei que com a proximidade do Natal, falar em sacrifício desta ordem é muito drástico, reconheço! Mas pior que o sacrifício imediato é entrar no ano que vem com dívidas vencidas e uma alta probabilidade de não conseguir quitá-las por meio dos salários regulares que virão. Fica a dica!

Bem, e para aqueles que não se encontrem na situação anterior – dívidas caras, com taxas de juros absurdamente elevadas – seguem mais três alternativas:

(2) Antecipar parcelas de financiamento imobiliário: Parece-me bastante atrativa, mesmo considerando as baixas taxas cobradas neste tipo de financiamento pois é bem possível que com os recursos do salário extra seja possível abater três ou quatro parcelas do financiamento. E se este for um hábito regular, isto significa que a cada três anos você reduzirá um ano de sua dívida, que tal?

(3) Aplicar em um PGBL: Para quem já aplica regularmente em planos complementares de aposentadoria, tipo VGBL, vale considerar utilizar o salário extra para fazer um aporte único em um PGBL, aproveitando assim o benefício fiscal de deduzir a contribuição feita na base de cálculo do imposto de renda a acertar em 2016 (quem apura imposto a pagar, pagará menos, quem apura imposto a receber, receberá mais). Neste tipo de aplicação, a legislação fiscal permite que se abata até 12% da renda bruta do contribuinte da base de cálculo do imposto, percentual que ficará acima do valor recebido como décimo-terceiro. Claro, desde que você não tenha feito outros aportes no PGBL ao longo do ano, quando então será preciso refazer as contas para se evitar estourar o limite do abatimento. Não há vantagens fiscais em se contribuir para PGBL acima do limite dos 12% da renda bruta e, se este for o seu caso, direcione o décimo-terceiro para o VGBL: não tem o benefício fiscal mas em compensação, a tributação incidirá apenas sobre os rendimentos, e não sobre o saldo integral aplicado, como ocorre no PGBL.

(4) Fazer caixa para o início do ano: Não se esquecendo que início de ano é complicado para todo mundo – IPTU, IPVA, matrícula e material escolares, férias e muitos outros custos elevados – guardar todo ou parte do décimo-terceiro para fazer frente às futuras despesas é uma excelente alternativa, principalmente se considerarmos que impostos e escolas, em geral, oferecem descontos expressivos quando pagos à vista.

Um grande abraço e até a próxima!

Sobre o autor

Roberto Zentgraf
Roberto Zentgraf

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